sexta-feira, 24 de março de 2017

A morte faz parte da vida!

A quem importa mais pelo momento da dor da morte?

Velório é uma coisa de “morrer”, pois vejamos:


Vemos pessoas que não “vemos” há quase meio século!


As pessoas se assustam, pois esperavam encontrar você ainda com 20 anos e você idem!


A primeira resposta é: “Quanto tempo, né” ?

Descobrimos que o nosso amigo de infância tem hoje um exército a sua volta, esposa, (às vezes esposas) filhos, netos e netas, bisnetos e bisnetas, enteados e enteadas, enfim uma família cheia, na acepção da palavra!


O falecido consegue reunir todo mundo, é quando aqueles que não se vê, vêem-se!


O falecido queria fazer uma grande festa ao completar 100 anos, muito pouca gente compareceu, mas no velório encheu de gente!


Muitos confortavam a inconfortável dor por no máximo 5 minutos com os familiares mais próximos e depois começava a recordar do passado “passado” e jogar piadas para “alegrar" o ambiente!

(Charge da internet)

O falecido às vezes ficava até sozinho e fora do recinto cheio de gente, acredito que pensava: "Antes só do que mal acompanhado"!


Velório é zum-zum-zum interminável não há o mais o choro das carpideiras e o moribundo é o menos importante nesse instante solene!

Todos querem ganhar as glórias da eternidade, mas ninguém quer ir embora daqui com muitos dizendo a frase: “Morreu? Antes ele do que eu”!

Enfim, velório é o maior ponto de encontro social, sem distinção, e um dia seremos nós o ator principal desse momento!

Ah ia esquecendo: na missa de 7º dia comparece meia dúzia de gatos pingados, afinal é dia de semana e temos de cuidar da vida antes de morrer, quando teremos também nosso réquiem!!!


Amém!


segunda-feira, 20 de março de 2017

O GADO BOVINO “COLONIZOU” A AMÉRICA

Um Brasil de Quatro Patas

Colombo embarcou em segunda viagem à  América, em 1493, com as primeiras cabeças de gado das Ilhas Canárias, provenientes do Norte da Espanha e introduziu-as no litoral da “Ilha Hispaniola”, que atualmente faz parte da República Dominicana e Haiti.

As primeiras cabeças de gado bovino, denominado de “crioulo”, foram introduzidas no Nordeste do Brasil por Tomé de Sousa[1], sendo seus maiores centros de irradiação os atuais estados de Pernambuco e Bahia, vindas diretamente da ilha de Cabo Verde[2].

Essa expansão ampliou-se depois para os atuais estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e em fazendas do Maranhão. Deste modo foram sendo tomadas por apropriação das terras indígenas dos tapuias, ocupadas pelo gado em expansão.

Há também o conceito de ter sido Martim Afonso de Sousa quem primeiro trouxe bovinos para a capitania de São Vicente em 1534, da qual era donatário, proveniente da Ilha da Madeira e de Cabo Verde.  

O gado crioulo formou grandes rebanhos e os enormes de latifúndios para pastagem, originárias das grandes extensões das capitanias hereditárias, depois as sesmarias.

O AÇÚCAR E SUA RELAÇÃO COM O GADO BOVINO

O açúcar era originário da Índia, sendo distribuído pelo Mediterrâneo por Veneza. Depois a produção açucareira foi sendo introduzida nas ilhas do Atlântico, cujo monopólio tornou-se da Holanda, que juntamente com a Inglaterra detinha privilégios para realizar o comércio externo das colônias. A América passou a ser a grande produtora de açúcar, ocupando o primeiro plano da produção colonial. (Prado, p.44)
 A ocupação da terra em grandes propriedades deu-se através da instalação das capitanias hereditárias, onde os donatários estavam obrigados a distribuir terras para o povoamento e iniciar a econômica da colônia. Dava-se o nome de sesmarias às terras assim distribuídas. Com as sesmarias a Coroa portuguesa pretendia atrair pessoas de recursos financeiros das camadas dominantes, chamados de "homens bons". O engenho era parte da fabricação de açúcar completada com a lavoura de subsistência local e que depois foram ocupadas pela mão de obra proveniente da escravidão africana.

Na maioria dos engenhos instalaram-se os trapiches[3] movidos pela tração animal, no caso os bois, além de utilizá-los para transporte de cargas em geral, resultando a pecuária que demandava a necessidade de fonte alimentar como leite, carne[4], além do couro e foi a impulsão da exploração das colônias, que além das terras dos canaviais, separou-se parte das mesmas para o gado, criando-se os grandes pastos que se vêem atualmente por todo o Brasil. Essa expansão ampliou-se depois para os atuais estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e em fazendas do Maranhão. Deste modo foram sendo tomadas por apropriação das terras indígenas dos tapuias da região, ocupadas pelo gado em expansão.

Situação atual

A população contada por “cabeças humanas” no Brasil soma hoje aproximadamente 200 milhões de habitantes o mesmo da população bovina em expansão constante, se já não foram ultrapassados estas cifras com desmatamentos para pastos através da Amazônia com novas manadas em grande escala de emissões de gás metano na atmosfera. Como mitigar estes efeitos?

Referências:
Prado Jr, Caio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1981

A origem do bovino da raça pé-duro




[1] Tomé de Sousa (1549-1553) foi o primeiro governador-geral do Brasil, vindo toda administração de funcionários e também os primeiros jesuítas.

[2] “Oficialmente, a chegada de cavalos no Brasil só foi registrada em 1549. Naquele ano, Tomé de Souza (primeiro governador-geral) mandou vir alguns animais, de Cabo Verde para a Bahia, na caravela Galga. Assim, nos primeiros anos da Colônia, a sua criação (junto com o gado bovino) foi iniciada formalmente e seria fundamental para a formação do Brasil”.
(Estudo do Complexo do Agronegócio Cavalo / Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Brasília:CNA,2004.
http://www.cepea.esalq.usp.br/en/documentos/texto/estudo-do-complexo-do-agronegocio-do-cavalo-resumo-coletanea-estudos-gleba.aspx)

[3] Não confundir com pontes feitas de madeira. Um trapiche é uma máquina destinada a moer a cana de açúcar com um conjunto de ao menos dois cilindros, um recipiente, e um braço destinado a fazer rodar os cilindros e que eram fabricadas de madeira.

[4] “A carne que produz, além de pouca, é de má qualidade.” (Prado, p. 68) – Isso no século 18!